01 Jan - 31 Jan2014
Pulsar

A fotografia é trama e listra, é recorte e colagem. Matéria e ato. Rompendo a rígida submissão à realidade que costuma definir a fotografia, as polaroides de Bonisson mixam tempos e espaços distintos e combinam-se em puro swing de ritmo, cor e textura. Em uma “geometria do acaso” (para usar uma expressão do artista), elas ressoam cortes e alternâncias como a linha orgânica de Lygia Clark, os metaesquemas de Hélio Oiticica e o Boogie Woogie de Piet Mondrian. E assumem uma natureza corpórea: a imagem, na polaroide, mostra-se película sensível, epiderme que a delicada manipulação do artista corta ou marca com ponta seca, tinta ou exposição ao calor. Os cortes e as inscrições ecoam então, em palimpsesto, algo que já era a imagem fotográfica: recortes íntimos, escrita externa. As imagens utilizadas por Bonisson vêm do arquivo ou diário pessoal em polaroide que ele mantém desde a década de 1980. As polaroides são como um fluxo permanente de registro de sua relação com o mundo, em uma acumulação também presente no que o artista chama Estudos-Listas, realizados desde 2007 com inscrições e colagens geométricas em papelão.