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BRUNO BIG
JAM SESSION

12.05 - 09.06.2022

(para ver ao som de Coltrane) 

Bruno Big iniciou a sua trajetória pela street art, da qual se tornou expoente.


Fazendo uso de um traço próprio que proporcionou base para uma pintura que se faz perceber de pronto (principal desafio para qualquer imagem lançada na urbe), com ênfase naquilo que Georges-Didi Huberman classifica como legível, ou seja: o que se reconhece e compreende, conquistou muros, fachadas e empenas pela cidade e o mundo.


Do tempo em que foi colaborador da artista e professora Thereza Miranda guardou importantes fundamentos que elaborou abrindo em sua obra novos espaços e possibilidades.


Um pouco antes do início da pandemia, Big começou a se interessar e estudar o Abstracionismo na pintura, valendo-se do tempo de reclusão para se lançar em novo desafio, de reinventar-se (como precisa fazer todo artista). Para isso, abriu mão da representação e de palhetas de cor preestabelecidas se lançando em pinturas que uma vez iniciadas não têm fim preconcebido.


Se pensarmos na divisão proposta pelo historiador Heinrich Wölfflin entre duas grandes tendências na pintura: a linear, ligada ao desenho e à representação, e a pictórica onde há ênfase do comportamento da tinta, do gesto do artista e se propõe a uma forma de criação de imagem que vai conduzir ao expressionismo abstrato, podemos concluir que é para este
universo, de maior liberdade (e risco), que seu trabalho flui, como um músico de jazz que partindo de uma base explora infinitas possibilidades.


No atelie de Bruno ouve-se de Django Reinhardt a Miles Davis e quase sempre há uma novo achado musical. É nesse espírito da descoberta que Big vem trabalhando.O artista David Hammons menciona uma fala de Ornette Coleman que o marcou: “Follow the idea of the song, not the song itself”.


Movido por ideias plásticas, pictóricas e cromáticas abertas Bruno Big produz obras que se nutrem e se relacionam com o Jazz. Assim antes fizeram Matisse, Mondrian e um grande  número de importantes artistas. Mais para Pollock (de quem Coleman era colecionador) e menos para Michelangelo, Big vem fazendo essa passagem que chama atenção pela coragem neste momento em que as instituições têm se interessado de forma quase unânime por trabalhos fortemente narrativos.Bruno, porém, sabe fazer seus próprios caminhos, ou como também disse Ornette Coleman: “Follow the idea, not the sound”.

Bob N
ao sul do equador, à beira do atlântico
2022