Genética da memória

26 Nov - 17 Dez 2014

Maria Luísa Mendonça


“Genética da memória” parece descrever, a partir da pintura do corpo deitado, um movimento concêntrico. Cada parte dos vários elementos do trabalho parece conter e estar contida nessa imagem. O corpo vermelho deitado sobre um fundo de várias camadas de pegadas, trajetos percorridos por um outro corpo, em diversos sentidos, inúmeras vezes. Pés, e não mãos, estão impressos nessa pintura pós-parietal. Uma multidão deles. O acúmulo feito de superposições e apagamentos forma uma espessura branca e volumosa. O corpo está deitado nesse branco, como um sudário, enquanto um terceiro corpo, no mesmo e em outro tempo, projetado, se movimento sobre eles. Algumas pegadas brancas atravessam o corpo pintado, como a dizer que ele também será apagado num processo de que vemos a interrupção. No centro dele há uma mancha branca, um fragmento de pegada, onde a ponta do pé já não transita. Em torno dela um leve traço descreve um círculo. Em outros trabalhos em que a artista utiliza a pegada como elemento pictórico, o círculo se repete; o sentido parece o mesmo: esse núcleo branco que em outros trabalhos remete a um buraco, de onde tudo vem e para onde vai, aqui coincide com o ventre.Olhando para o trabalho como quem decifra uma simbologia hermética de métodos indiciais, a pintura talvez possa sugerir que os vestígios do passado e o que está por vir se fundem, como o apagamento é a condição da imagem, o esquecimento a condição da memória. O sentido é o que está por vir e ao mesmo tempo onde a memória irrompe.


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